Semana passada li uma matéria na revista “Carta Capital” e decidi fazer uma síntese a fim de compartilhar a minha indignação com vocês.
Existe uma pequena cidade no interior da África do Sul que tenta preservar o que a maioria da população quer esquecer: a época em que brancos e negros viviam segregados – O apartheid. Orania foi criada por brancos para brancos, em uma área afastada dos principais centros do país. Ela não tem muros ou cancelas, mas, sem constrangimento, os moradores avisam que negros não são bem-vindos Quem mora na cidade nega o caráter racista do projeto e argumenta que sua motivação é simplesmente cultural. Os 700 habitantes fazem parte de um grupo restrito de brancos sul-africanos, os africâneres, mistura de descendentes de holandeses, franceses e alemães que migraram para a África do Sul no século XVII. Eles têm idioma próprio e identidade cultural. Por isso, a regra para se viver em Orania é ser africâner. Não há negros e mesmo os poucos brancos de origem inglesa só vivem lá porque são casados com africâneres..
A cidade fica a 650 quilômetros de Johanesburgo e nasceu em 1991, quando o fim da política oficial de segregação racial, se tornara inevitável. Um grupo decidiu comprar várias fazendas e assim viver isolado do resto do país, como forma de preservar sua língua e costumes. À época, treze famílias mudaram para as margens do rio Orange, na província do Cabo Norte, e ali fundaram Orania.
Há menos de duas décadas, os africâneres eram o grupo mais poderoso da África do Sul. Foram os mentores do apartheid, o regime de segregação racial que perdurou por mais de 40 anos. Durante o período, os negros foram confinados nas periferias das cidades, enquanto os brancos moravam nos bairros mais nobres. Os negros não tinham direito à livre circulação e, embora fossem maioria, estavam submetidos ao poder e à cultura dos brancos.
O idioma africâner fazia parte das matérias obrigatórias nas escolas e era o número 1 nas universidades. A partir dos anos 80, o apartheid passou a sofrer forte pressão tanto dentro quanto fora do país até ser desmontado no começo da década de 90. Em 1994, Nelson Mandela tornou-se o primeiro presidente negro da África do Sul e os africâneres perderam não só poderes político e econômico, como influência cultural. Hoje o país tem 49 milhões de habitantes, com 79% negros.
Embora não tenha sequer vinte ruas, Orania possui bandeira, rádio local e até moeda própria. O “ora” vale exatamente o mesmo que o rand sul-africano, mas quem o usa ganha 5% de desconto nas lojas da cidade. Toda criança que nasce recebe uma bolsa em “ora” equivalente a 2,5 mil reais como incentivo para expandir a comunidade. A aposta é em um modelo de desenvolvimento autossustentável em que a maior parte dos alimentos consumidos seja produzida lá mesmo. O símbolo de Orania é um garoto arregaçando as mangas da camisa, como sinal de trabalho. Quem mora ali se orgulha por fazer a cidade crescer.
O artigo 235 da Constituição Sul-africana “assegura o direito a pessoas de mesma cultura e origem se estabelecerem em um território específico”. Esta foi a brecha encontrada pelos africâneres para se distanciarem da soberania negra.
Existe uma pequena cidade no interior da África do Sul que tenta preservar o que a maioria da população quer esquecer: a época em que brancos e negros viviam segregados – O apartheid. Orania foi criada por brancos para brancos, em uma área afastada dos principais centros do país. Ela não tem muros ou cancelas, mas, sem constrangimento, os moradores avisam que negros não são bem-vindos Quem mora na cidade nega o caráter racista do projeto e argumenta que sua motivação é simplesmente cultural. Os 700 habitantes fazem parte de um grupo restrito de brancos sul-africanos, os africâneres, mistura de descendentes de holandeses, franceses e alemães que migraram para a África do Sul no século XVII. Eles têm idioma próprio e identidade cultural. Por isso, a regra para se viver em Orania é ser africâner. Não há negros e mesmo os poucos brancos de origem inglesa só vivem lá porque são casados com africâneres..
A cidade fica a 650 quilômetros de Johanesburgo e nasceu em 1991, quando o fim da política oficial de segregação racial, se tornara inevitável. Um grupo decidiu comprar várias fazendas e assim viver isolado do resto do país, como forma de preservar sua língua e costumes. À época, treze famílias mudaram para as margens do rio Orange, na província do Cabo Norte, e ali fundaram Orania.
Há menos de duas décadas, os africâneres eram o grupo mais poderoso da África do Sul. Foram os mentores do apartheid, o regime de segregação racial que perdurou por mais de 40 anos. Durante o período, os negros foram confinados nas periferias das cidades, enquanto os brancos moravam nos bairros mais nobres. Os negros não tinham direito à livre circulação e, embora fossem maioria, estavam submetidos ao poder e à cultura dos brancos.
O idioma africâner fazia parte das matérias obrigatórias nas escolas e era o número 1 nas universidades. A partir dos anos 80, o apartheid passou a sofrer forte pressão tanto dentro quanto fora do país até ser desmontado no começo da década de 90. Em 1994, Nelson Mandela tornou-se o primeiro presidente negro da África do Sul e os africâneres perderam não só poderes político e econômico, como influência cultural. Hoje o país tem 49 milhões de habitantes, com 79% negros.
Embora não tenha sequer vinte ruas, Orania possui bandeira, rádio local e até moeda própria. O “ora” vale exatamente o mesmo que o rand sul-africano, mas quem o usa ganha 5% de desconto nas lojas da cidade. Toda criança que nasce recebe uma bolsa em “ora” equivalente a 2,5 mil reais como incentivo para expandir a comunidade. A aposta é em um modelo de desenvolvimento autossustentável em que a maior parte dos alimentos consumidos seja produzida lá mesmo. O símbolo de Orania é um garoto arregaçando as mangas da camisa, como sinal de trabalho. Quem mora ali se orgulha por fazer a cidade crescer.
O artigo 235 da Constituição Sul-africana “assegura o direito a pessoas de mesma cultura e origem se estabelecerem em um território específico”. Esta foi a brecha encontrada pelos africâneres para se distanciarem da soberania negra.
É impressionante ver como esse tipo de atitude se perpetua. Às pessoas ainda insistem em acreditar que existem raças...
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